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A Pensar Alto...

Qua | 06.05.20

E se o nosso país não for tão pacato como achamos?

Vânia Pimenta

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E se quarentena é sinónimo de estar em casa...creio que para a maior parte dos portugueses é e foi também sinónimo de conhecer o que se tem nas prateleiras esquecidas lá por casa. A mim pelo menos aconteceu isso.

Num breve passeio pela estante do escritório vi que tinha para lá guardado um livro que nunca tinha lido e que estava meio perdido naquele oceano de papelada. Chamou logo à atenção pela capa peculiar e diferente de todos os outros livros que tenho e além disso um título que não deixa de criar curiosidade "Mulheres Fora da Lei".

Parei e dei por mim a pensar no segundo seguinte "por alma de quem é que eu tenho um livro com uma história sobre um crime"? Nada contra...só não é o tipo de livro que me costuma chamar a atenção nas livrarias. Mas de que importava isso? Já estava com o foco todo voltado para aquele livro ali, tão diferente e por alguma razão não me tinha passado ao lado.

Também como o anúncio "Venha conhecer as maiores criminosas dos últimos três séculos em Portugal" era difícil! Dei conta de que não se tratava de uma história ficcionada, criada mas sim de algo verídico e que acontecera no meu país. Mas...como assim? Portugal? Um país pacato, seguro e tranquilo que da História estudada na escola jamais teria sido de altos assassinos...algo se passava.

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De qualquer modo nem era isso que me despertava interesse...até porque nesses instantes com o livro na mão pensei de imediato que não tinha qualquer interesse em pormenores sórdidos e macabros que mulheres dos séculos passados tinham incluído nos seus crimes. Para mim isso era apenas mórbido.

Mas, a verdade é que o livro continuava na minha mão e eu continua a desfolhar folha por folha. Até que percebi que talvez algo que me tinha negado a ler tão prontamente até poderia ser interessante. É! Às vezes temos de nos contrariar e sair da caixa.

Conclusão: comecei a ler o livro e estou a achar interessante conhecer não só um grupo de 23 mulheres que nasceram em Portugal e eram bastante diferentes, mas conhecer melhor o ser humano, porque todas as estórias e histórias valem a pena conhecer o que fomos, o que somos e tentar melhorar o que seremos. 

Por outro lado, as histórias destas mulheres, entre o século XVIII e o século XX, mostram um rasgo de igualade. Apesar de ser por um motivo que não deixa orgulho, estas mulheres conseguiam cometer crimes tal como os homens e conseguiam ser tanto ou mais cruéis ao cometê-los do que os homens, embora à época e ainda hoje essa não seja a imagem que temos.

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Em suma, parece-me um livro interessante e que vou continuar a ler!