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A Pensar Alto...

A Pensar Alto...

Sab | 11.09.21

"Celebrar a vida devia ter um peso semelhante ao de vivenciar a morte"

Vânia Pimenta

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Estava a ver televisão e vi uma notícia já muito no final sobre a proposta de aumento dos dias de luto parental. Concordei, embora seja algo que nunca me tinha feito parar para pensar, felizmente por nunca ter precisado. Deve ser uma dor tão péssima que é inimaginável e que não sara em pouco tempo.

De qualquer forma não dediquei muito tempo a pensar sobre isso, talvez por egoísmo e porque é algo que não quero imaginar... ninguém está pronto para isso, penso eu.

No entanto, fiquei a maturar nalgo que, de facto, me fez sentir um pouco surpresa.

Reparei que quando alguém morre as pessoas, pelo menos as mais próximas, tiram tempo e dia (s) para estarem presentes na despedida, o funeral e o velório...se tinham de estar no trabalho a essa hora, por norma vão ter com um agente da funerária e entregam uma justificação e tudo fica normalizado em termos laborais, penso que na maioria dos casos. Afinal, ninguém imagina que um trabalho possa tirar esse momento a alguém numa hora de profunda dor. Para mim isso parece algo óbvio e ainda bem que assim acontece.

Mas, porque será que por vezes não tem justificação o tempo que dedicamos aos vivos? E não estou a falar das coisas que não dizemos que depois se tornam algo que se queria ter dito, mas é tarde demais.

Estou a falar de, por exemplo, um aniversário. Se alguém não puder tirar o dia de férias do aniversário do pai ou da mãe, trabalhar por turnos e não conseguir troca a folga ou o horário com um colega, todos entendem que a vida é mesmo assim e pronto, para o ano há-de ser melhor ainda que nada mude.

E não estou já a culpar empresas ou o mercado laboral. Passa também por cada um. Será que se eu soubesse que este é o último aniversário de uma pessoa que amo não faria um esforço maior por estar presente e aproveitar ao máximo? Deixaria de dizer algo bonito? Mostrar afeto? 

O quotidiano e a rotina podem fazer esquecer o que realmente devem ser prioridades, por vezes sinto isso.

É claro que não é viável para uma empresa ter funcionários tirem dias a torto e a direito e, se me perguntassem, não fazia ideia sobre como regulamentar algo assim. Sei que é muito mais difícil recuperar de uma dor do que celebrar alegria onde não há nenhum problema e o ser humano fica feliz e saudável. 

Ainda assim, acho que celebrar a vida deveria ter um peso semelhante ao de vivenciar a morte. São os momentos em que realmente vivemos e compartilhamos o que somos que nos dão sentido...

Prestar homenagem e ter tempo para ultrapassar a dor é muito importante, mas não menos do que estar presente nos momentos importantes em vida.

Qui | 09.09.21

365 Histórias, o livro para os mais pequenos

Vânia Pimenta

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Vagueava pelo mundo dos livros online, como sempre (risos), e não sei porquê, já que não estava a procurar nada relacionado, apareceu-me uma lista de livros à venda da qual fazia parte um livro que tinha desde muito pequenina e que é um dos culpados por gostar tanto de ler e escrever.

Nunca mais me lembrei dele, ou da capa, e neste momento deve estar algures num baú da cave dos meus pais... Quando vi senti saudades e um sentimento reconfortante porque gostava mesmo muito. Muitas noites sentava-me com a minha irmã e liamos histórias desse livro. Chama-se "365 Histórias" e é da Editora ASA e até a capa é igualzinha à do livro que tanto folheei.

Traz uma história interessante e divertida para ler ao longo de todo o ano, já que são 365 histórias, uma para cada dia. Vale muito a pena e acho que os mais pequenos vão adorar. 

É mais fácil ler uma pequena história todos os dias do que talvez ler um livro inteiro e completo, daí achar que é um bom incentivo à leitura.

Fica a sugestão.

Qua | 08.09.21

Adianta um grosso, sim!

Vânia Pimenta

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Como alguém que adora escrever não podia deixar de vir aqui 'mandar uns bitaites'. Depois de aguçar o lápis e reunir algumas ideias que me levaram a escrever este post, foi finalmente hora de dar corda aos vitorinos, me alapar e começar a escrever-vos sobre um dos meus temas favoritos: o meu e nosso Norte!

Não sobre a região em si, propriamente dita, mas sobre algo que considero muito valioso e extremamente importante: a cultura, que passa pelas tradicionais e míticas expressões que todos usamos cá em cima, sem nos darmos bem conta. Já são da casa.

João Carlos Brito lançou o Dicionário de Calão do Norte, "o português mais português de Portugal" e na minha opinião trata-se de uma coletânea incrível para que a história não se perca e nós nortenhos não fiquemos sem algo qu tão bem nos caracteriza e orgulha, a língua e as nossas expressões.

Já me aconteceu perguntarem-me se sabia como se chamava uma banca, um testo e uma sertã fora do Norte e na verdade, só nesse momento é que percebi que havia outros nomes para se darem a esses objetos, nomeadamente uma pia (nome horrível, banca é muito mais giro ahah), uma tampa (que para mim é o que se dá quando se recusa um convite) e uma frigideira.

Ainda bem que alguém teve esta brilhante ideia de reunir as expressões num dicionário, como já acontecera com o Dicionário de Calão do Minho e Lugares e Palavras do Porto, do mesmo autor. Gravar e marcar o que faz de nós gentes do Norte é levar-nos por séculos e, por isso, 'adianta um grosso', sim!

Viva o Norte, carago!

Ter | 07.09.21

Pense numa conquista desta semana! Não sabe? E num problema? Vários? Comigo também...

Vânia Pimenta

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O fim do Verão traz sempre o início do fim de um ciclo. À medida que se aproxima parece que traz também uma certa dualidade. Por um lado, querer aproveitar os últimos raios de sol com alegria ao máximo, por outro a pequena ansiedade e batimento cardíaco um pouco acelerado quanto ao que aí vem. 

Se todos fossem como eu, o outono seria patrocinado por chás tranquilizantes e reconfortantes. O fim do verão traz alterações e/ou correções no plano de atuação da empresa, traz novos objetivos e na vida pessoal nem sempre sabemos o que traz...o outono é bonito, há uma certa beleza no ciclo da vida de todos os organismos, mas não sei porquê acho que traz mais vontade de Natal, de lareira e de maratonas de sofá.

O outono começa o final do ano e se calhar o perceber que muito correu bem devia alegrar mais do que a apreensão pelo que menos bem correu, mas ainda assim...ali está algo que puxa para baixo nesta mudança de estação...talvez seja só "à ser humano"...

Numa reunião no escritório perguntavam a um colega meu que conquistas tinha tido naquela semana de trabalho. Toda a reunião girou em torno do que estava menos bem ou que podia ser ainda melhor e onde vários processos foram apontados. Na hora de responder o colega não conseguiu enumerar nenhuma vitória/ conquista. Este meu colega trabalha na área de apoio ao cliente e todos os dias resolve questões e ajuda montes de pessoas...para quem não é o meu colega, é fácil, cada ajuda representa várias conquistas naquela semana...óbvio.

Quando tentei pensar nas minhas ...não sabia enumerar também. Que se passa connosco? 

Outono é  o início do fim de um ciclo para que na primavera haja renascimento. Talvez nesta estação que se avizinha todos devessemos perceber quais as folhas que deviamos deixar cair para florirem e darem fruto daqui a uns meses.

Vamos tentar?

Seg | 06.09.21

'Hey there Dellilah' see you in a few years

Vânia Pimenta

'Hey there, dellilah

What's it like in New York city?'

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Sentei no sofá e com a TV ligada por mero acaso, no VH1, terminou uma música que não me lembro qual era e começou 'Hey there Dellilah' num tom calmo e bonito, e embora nunca me tenha marcado muito, ao escuta-la lembrei a adolescência. Escutei com tom de memória em jeito saudoso.

Já foi há X anos? Divaguei...no início achei que não podia ser...há medida que a memória ia tomando espaço do consciente percebi que envelheci e envelheci bem. 

Não na medida do tempo, não se passaram assim tantos anos, mas sim na medida da alma e do ser. Em conversa na manicure, ainda hoje, falava-se do medo e da angústia de chegar a uma certa idade. Não a tenho...gostava de lá chegar como cheguei até aqui desde a 'Dellilah'. Os anos passaram com altos e baixos, com muito esforço e dedicação e sim, com muitos momentos de felicidade e diversão. Ainda não vivi muito, mas do que vou percebendo a vida deve ser mesmo assim e querer preservar este ou aquele sinal do tempo para que pareça não ter passado, para já, e não posso dizer que não mudará porque o futuro ninguém sabe, não é algo que me ocorra.

Envelhecer parece-me, da casa dos 20's mais perto dos 30's, o mais bonito que nos acontece. Sim, eu vou pintar o cabelo mal tenha brancas porque gosto de um cabelo com cor, mas quero amadurecer, aprender e passar cada etapa da vida aproveitando-a e sem medo que chegue a seguinte.

Olho para os meus avós e para a sua história de vida e não me lembro de os ouvir queixarem-se das marcas do tempo. A minha avó na casa dos 80 diz sempre 'eu não sou velha' e não é mesmo! Ela é experiente, sábia e um exemplo para mim como mulher. O que quero ser quando for grande? O reflexo do que era no tempo da 'Dellilah' que cresceu e foi feliz. 

Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, pensava sempre numa profissão...ao escutar esta canção hoje, acho que percebi que quero ser como a minha avó: uma mulher de guerra, linda, sábia e sempre muito feliz, ainda que a infelicidade tenha espreitado alguns capitulos da vida.

Às mulheres e homens que vivem além da idade, um bem haja.

Hey there Dellilah see you in a few years...don't you worry about the distance.

 

Dom | 05.09.21

Quem disse que é normal ser normal?

Vânia Pimenta

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Haverá maior anormalidade do que ser normal? Adoro a forma como cada um é-se à sua maneira. Aquele exato momento em que estamos connosco e não há ninguém a ver, a analisar, não há ninguém a agradar ou comportamento politicamente mais correto. Por exemplo, aquele em todos já colocamos o dedo no nariz e 'escarafunchamos' até encontrar o que todos já encontramos. Aí sentimentos uma certa pressão no peito e ânsia de ver se alguém viu até voltamos a perceber que estamos sozinhos, está tudo bem e o perigo já passou. Claro que no escritório quando vemos um colega a fazer o mesmo, distraidamente, dizemos sem qualquer dúvida que é uma atitude nojenta. Porque é que todos temos sensivelmente algumas atitudes que ao mesmo tempo todos reprovamos? É óbvio que os macacos do nosso nariz não prejudicam o colega ao lado e ao mesmo tempo também não é de boa higiene...mas a questão é porque somos tão rápidos a pressionar o botão da acusação e da crítica? Se todos já fizemos algo que a sociedade não vê com tão bons olhos e nós próprios somos essa sociedade? 

Cada vez mais acho que a normalidade "imposta" é algo que serve para os outros pensarem que até somos como eles, quando na verdade todos temos atitudes um pouco diferentes, mais do que uma vez na vida e em diferentes campos. 

Posto isto, o que é a normalidade? Existe verdade em ser-se normal? Quem em plena consciência quer ser exatamente como o outro se todos nascemos diferentes? 

Quem disse que é normal ser normal?

Assim me despeço destas ideias que vagueiam a mente de alguém que está quase a adormecer e que não acha normal estar a pensar nestas coisas a esta hora, mas que se sente completa ao escrever estas palavras.