Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Pensar Alto...

A Pensar Alto...

Qua | 25.11.20

Almeida Garrett: a casa feita cinza com futuro de museu

Vânia Pimenta

Nada melhor depois de um passeio de final de tarde, em pleno outono, do que aproveitar o sol das Virtudes, no Porto claro, e saborear uma boa bebida na melhor companhia. 

Depois de uma tarde assim, subindo desde as virtudes deparei-me com uma casa devoluta e em muito mau estado. Não tinha nada que chamasse a atenção à vista, no entanto era um edíficio imponente e com algo que despertava a curiosidade: uma espécie de brasão enorme com umas letras que assim de longe não conseguia perceber.

À medida que fui subindo consegui ler finalmente o que dizia: “Casa onde nasceu aos 4 de Fevereiro de 1799 João Baptista da Silva Leitão Almeida Garrett”. Fiquei surpreendida pela casa naquele estado ser uma casa, na minha opinião de interesse.

E porque quem é do Porto sabe que Porto não falha. Decidi descobrir um pouco mais da sua história.

Numa notícia do Observador, percebi que esta casa, agora feita ruína e pó, afinal estava para ser comprada pela autarquia do Porto, decisão tomada após proposta da CDU a 26 de março de 2019 quando ardeu, aparentemente sem causa conhecida, a 27 de abril do mesmo ano. Uma trágica coincidência para a cultura da cidade e de todos nós, já que ia ser, tal como imaginei quando vi que casa era aquela por onde passava, transformada num museu, um pólo do Museu do Liberalismo para assinalar a Revolução de 1820, que tão bem espelhou a fibra de que somos feitos cá em cima.

Nas minhas pesquisas descobri ainda que mesmo depois do incêndio a Câmara Municipal do Porto mostrou o mesmo interesse em adquirir a casa e eleva-la a imovel de interesse municipal. Não sei mais do que isto, mas apesar de, todavia, quem hoje passa pelo 39 da Rua Dr. Barbosa de Castro poder ver apenas o que restou de um incêndio, espero que a intenção de preservar memória, história e ser continue e daqui a algum tempo possamos visitar o sítio onde nasceu um dos incontornáveis escritores da literatura portuguesa.

 

Seg | 23.11.20

Ninguém se engana senão por ignorância

Vânia Pimenta

sketch-2700699_1920.jpg

Como muitas pessoas confinada, decidi dar ouvidos à minha irmã e começar a ver Velvet. Uma série com poucos anos, mas que valeu a pena. Em suma, trata-se da história de um atelier de moda em Madrid, Las Galerias Velvet, e a trama passa pela história de amor travada de várias formas de Ana e Alberto, e muitos outros temas que não vêem agora ao caso.

Num dos episódios, alguém com uma doença terminal, de acordo com a trama da altura, diz que "ninguém erra senão por ignorância". O meu pensamento de imediato fixou a frase, porque pensava encontrar muita coisa numa série sobre amor e alta costura, mas esta lição chegou realmente de surpresa.

No meio de tantos esboços, telas, linhas, só nesse momento percebi que aquela série, aquela personagem, aquele enredo, é muito mais do que moldar vestidos, é moldar gente, moldar mentalidades e moldar egos. Se se erra, realmente, é por não saber mais e melhor e nesse momento aprende-se. Um viva à ignorância que sempre que nos dá a cara da sua presença nos faz ter mais a sua ausência e ser o melhor modelo que podemos ser.

Dom | 22.11.20

"Mais se adora o sol que brilha, que o sol que ainda não nasceu"

Vânia Pimenta

Depois de mais um assalto à estante do meu avô, li "As Minas de Salomão", livro traduzido e de certa forma adaptado por Eça de Queiroz, e deparei-me com esta frase que me deixou a pensar: Mais se adora o sol que brilha, que o sol que ainda não nasceu.

Fez-me perceber que ao longo dos séculos, o tempo muda, as gentes mudam, os hábitos mudam, os costumes mudam, a forma de vida muda, mas a essência de cada um e parte de um todo não, ao que parece não muda.

De forma muito resumida, esta frase aparece numa altura da história em que um grupo de explorados tem de decidir se arriscam as suas vidas para ajudar um amigo de jornada a conquistar o que lhe pertence e salvar um povoado, ou se, pelo contrário, não se arriscam e o rei Tuala, violento, cruel e déspota, fica no controlo.

E realmente, quantos de nós não nos deparamos com esta situação nas nossas vidas? Não de guerra, felizmente! Mas quantas vezes estamos parados, bloqueados nalguma parte da nossa vida simplesmente porque é mais fácil adorar um sol que já brilha, ainda que esse brilho não seja da intensidade que gostariamos, do que adorar um novo, correndo o risco de ficar na escuridão ou de reluzir mil vezes mais?

Fiquei a pensar, e com vontade de mudar alguns parâmetros. E, porque acho que em algum aspeto das nossas vidas todos teremos o nosso sol que conhecemos e queremos porque é mais fácil do que buscar um novo, aqui deixo esta reflexão.
Bom domingo!